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I Encontro de Conhecimentos Livres da Chapada Diamantina

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DSC01326O Ponto de Cultura Circo do Capão e o Pontão de Cultura juntaDados (UNEB) convidam os Pontos de Cultura do território da Chapada Diamantina para o I Encontro de Conhecimentos Livres da Chapada Diamantina, no Circo do Capão, no Vale do Capão, município de Palmeiras, de  22 a 26 de setembro,  de 29 de setembro a 3 de outubro. Na programação, oficinas, debates, apresentações, performances e reflexões sobre cultura digital, software livre, metareciclagem, produção áudio-visual, economia solidaria e cultura popular. Inscrições até 20 de setembro.
Mais informações: http://www.juntadados.org/node/120

P.S: Os Pontos de Cultura da Chapa Diamantina terão prioridade , mas outros  pontos podem se inscrever, de acordo com a disponibilidade de vagas.

Filme revela consciência sobre direito de imagem

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Nego Fugido ganha prêmio de melhor curta brasileiro
por Josias Pires

 O filme Nego Fugido (Claudio Marques e Marília Hughes, Salvador, 2009) levou o prêmio de melhor curta brasileiro do Seminário de Cinema, realizado em Salvador na semana de 27 de julho a 1o. de agosto. Em cena a presença de dois jovens “estrangeiros” (Leonardo França e Paula Carneiro) no espetáculo Nego Fugido, teatro de rua tradicional do povoado de Acupe, no município de Santo Amaro da Purificação. O jovem é um músico, toca acordeon, é branco; a jovem também branca aparece com uma câmera de vídeo registrando a manifestação popular. O jovem é ator; e decide participar da manifestação por dentro, pinta o seu próprio rosto com o carvão e o pinche que são usados para fazer as máscaras dos caçadores e negros fugidos da representação do Recôncavo da Bahia.

Montagem ágil, clipada, câmera nervosa, o filme capta a força colorida e lúdica do Nego Fugido e nos comove. O ator realça na sua atuação o traço servil do escravo: eles saem às ruas, amarrados, pedindo dinheiro as sinhás para comprar cartas de alforria.

Antes disso, ou seja, da cena com o ator no peditório, o filme problematiza a questão do pagamento sobre direitos de imagem. “Mas Sinhá, fique sabendo que pra filmar aqui tem que ter money, money sinhá!!”, diz um Nego Fugido, armado, olhando para a câmara – ou seja, para nós espectadores. Um olhar arrogante, cheio de auto-estima e revelador de conhecimento que tem dos seus direitos.

Curioso é que a força da exigência para defender o direito de imagem não parece ser o mesmo que se vê na representação do peditório de rua, quando se suplica, humildemente, pelo dinheiro das iaiás.

– Assim não dá, isto tudo para representar este servilismo? Parece nos indicar a representação do ator branco que encena a crítica ao espetáculo do Nego Fugido.

A temática é relevante. Quem milita no campo do espetáculo popular sabe que a introdução do dinheiro para garantir apresentações de grupos tradicionais populares da cultura modifica a relação com a comunidade, com o folguedo (muitos chamam de brinquedo) e entre as pessoas que participam da sua realização. Não são poucos os grupos que deixaram de apresentar-se como um ritual, nas datas e circuitos/lugares tradicionais, passando a vender as apresentações para diversos interessados nos mais diferentes lugares. Contudo, deve-se considerar, no caso do Nego Fugido, que a montagem do espetáculo envolve o dispêndio de muitos recursos da comunidade, formada sobretudo de marisqueiros, pescadores, lavradores e pequenos funcionários.

A outra questão é que, em geral, o espetáculo popular reproduz também aspectos do imaginário do opressor. A busca da liberdade, o fim da escravidão foram processos complexos. Se as elites senhoriais tinham, muitas vezes, desprezo para com os negros, estes valiam-se das mais diferentes estratégias para sobreviver na sociedade escravista; até mesmo obter aliados entre os brancos. Alguns buscavam meios de integração e outros de ruptura. Os que fugiam foram negros que prezavam a liberdade e estavam dispostos a morrer por ela. Ainda que, muitas vezes, negros tenham escravizados outros negros e que o servilismo impedia a tomada de consciência do valor da liberdade. O espetáculo do Nego Fugido, em que pese uma aparência de integração à ordem, na medida em que exalta também a figura da princesa Isabel, na verdade representa uma gama multifacetada de significados.

Quando a TV Educativa da Bahia esteve em Acupe, no final da década de 1990, para fazer gravações para a série Bahia Singular e Plural, a questão do dinheiro, evidentemente, esteve presente e foi colocada de pronto por D. Santa, a madrinha do grupo, a sua representante para assuntos diversos. A TVE colaborou com d. Santa para a compra da indumentária, figurino e adereços do espetáculo. Ela argumentou sobre o volume de despesas para renovar o estoque de espingardas e pólvora, adquirir chapéus e roupas de couro, armas, alpercatas para os soldados, para o rei, para os caçadores, os produtos para as pinturas, as roupas dos meninos que fazem os negros fugidos e os meninos da música – enfim, é uma produção que exige mobilização grande e decidida.

Na época, entendeu-se que foi uma negociação correta, necessária, justa e adequada para a comunidade e para os interesses de registro da emissora.

O filme “Nego Fugido”, de Cláudio Marques e Marília Hughes, busca dar conta deste tipo de relação e acaba por nos revelar um grupo que parece ter adquirido consciência viva sobre direitos de imagens, e faz questão de proclamá-la, situação que contrasta com a representação da época escravista, quando alguns negos fugidos saíam, humilhados, pedindo de casa em casa um dinheirinho para comer e ganhar alguma liberdade.

Veja íntegra do post de Josias Pires sobre o Seminário de Cinema aqui: http://blogln.ning.com/profiles/blogs/salvador-realiza-seminario-de?xgs=1

Escrito por pontoapontobahia

3 de agosto de 2009 em 10:33

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